Moléculas, Células e Tecidos

Células

Teoria Celular
A ideia de que a célula é a unidade básica da vida é conhecida como teoria celular. Essa ideia desenvolveu-se, aos poucos, por meio de observações microscópicas da estrutura de muitas plantas e muitos animais e, finalmente, foi aceita a presença de células, como características estrutural comum aos seres vivos em geral.
A teoria celular foi formulada por dois cientistas alemães, Mathias Schleiden (1804-1881) e Theodor Schwann (1810-1882), nos anos de 1838 e 1839. Ela estabelece que as células são a unidade básica da vida e que todas as plantas e todos os animais são constituídos por células.
Em 1855, Rudolf Virchow (1821-1902), baseando-se em outros estudiosos, declarou que toda célula se origina de outras célula. O biólogo Walther Flemming (1843-1905) não só confirmou a proposta de Virchow como, em 1878, provou que a divisão de uma célula produz duas células “filhas”.


Origem da teoria celular


Usado por Robert Hooke
No século XVII (1665), Robert Hooke (1635-1703), físico e matemático inglês, usando um microscópio de fabricação própria, observou que a cortiça e outros tecidos vegetais são constituídos e pequenas cavidades separadas por meio de paredes. Ele determinou tais cavidades de “células”, que significa “pequenos compartimentos”. Entretanto, a palavra “célula” não assumiu o seu significado atual durante mais de 150 anos.
Antonie van Leeuwenhoek (1632-1723), nascido na Holanda, não era um especialista em anatomia, mas estudou todas as estruturas microscópicas. Foi o primeiro cientista a ver e desenhar espermatozóides e um dos primeiros a observar micróbios, como bactérias, com um microscópio de uma única lente.
Em 1838, Mathias Schleiden, um botânico alemão, chegou à conclusão de que as plantas apresentam organização celular. No ano seguinte, o zoólogo alemão Theodor Schwann estendeu essa conclusão aos animais. E assim nasceu a teoria celular, segundo a qual todos os seres vivos, exceto os vírus, são constituídos por células.
Em 1855, a teoria celular assumiu um significado ainda maior quando outro cientista alemão, Rudolf Virchow, generalizou a noção de que as células só podem se originar de células preexistentes. Tal generalização estabelecia a divisão celular como o fenômeno central na reprodução dos organismos.
Outro avanço foi dado à teoria celular com a descoberta de que o desenvolvimento de um embrião começa com a fusão de dois núcleos, um do óvulo e o outro do espermatozóide, respectivamente células reprodutoras femininas e masculinas. Com a fusão dos núcleos, o óvulo passa a ser uma única célula que constitui o zigoto. Tal fato demonstra que a célula não é só a unidade estrutural, mas também a unidade de desenvolvimento de todos os organismos vivos.
Resumindo, a teoria celular afirma que a grande maioria dos organismos tem uma estrutura celular e que a célula é a unidade fundamental de sua atividade vital, de sua reprodução e de seu desenvolvimento.


Como estudar as células


Muitas células podem ser estudadas vivas em seu ambiente natural, como os protozoários e as algas, por exemplo.
Mas, quando se trata de estudar células mortas, devemos submetê-las a um tratamento que consiste fundamentalmente no seguinte:
• Fixação: é o processo pelo qual impedimos que as células se decomponham.
A fixação pode ser física (empregando o calor ou o congelamento), ou química (utilizando líquidos fixadores, como o álcool, o formol e o ácido acético).
• Corte: feito com um aparelho denominado micrótomo que possui um mecanismo semelhante ao aparelho de cortar frios. Os cortes devem ser bem delgados para ficarem transparentes.
• Coloração: consiste na aplicação de substâncias corantes nas preparações.
Os corantes mais comuns são o azul de metileno, o lugol, a hematoxilina e a eosina. Estes dois últimos são os mais utilizados no estudo das células. A hematoxilina cora o núcleo de azul, e a eosina cora o citoplasma de cor-de-rosa.
Depois de submetida a esse tratamento, a célula pode ser observada ao microscópio. O mais comum utilizado em escolas de ensino médio, é o microscópio óptico ou composto.
A lente da ocular podem fornecer imagens aumentadas cinco, dez ou quinze vezes. As lentes da objetiva apresentam comumente três aumentos diferentes.
Para saber o aumento total, multiplica-se o valor do aumento da ocular pelo valor do aumento da objetiva.
Os aumentos fornecidos pelos microscópios ópticos em geral não ultrapassam 1500 vezes. Nas universidades, hospitais e entidades científicas de pesquisas, são utilizados os microscópios eletrônicos, cujo aumento pode ultrapassar 150 000 vezes.
Esse tipo de microscópio não utiliza a luz como fonte de energia para a observação, mas um feixe de elétrons. O feixe de elétrons atravessa o material a ser examinado, e a imagem é transmitida através dele.